02/11/2018 00:00:00

A relação entre Brasil e China (Opinião)

Ronaldo Mota Chanceler da Universidade Estácio

O Dia (RJ)

A relação entre Brasil e China Ronaldo Mota Chanceler da Universidade Estácio Rnecentemente, fui convidado para integrar o Comitê Inter-acional de Avaliação do Ins-tituto de Tecnologia de Pequim (BIT, Beijing Institute of Technology, em inglês). O BIT é uma das universida-des públicas chinesas com foco prin-cipal em Ciência e Tecnologia, atuan-do também em outras áreas como gestão e humanidades. Periodicamente, as universidades chinesas passam por avaliações su-pervisionadas por comissões forma-das por pesquisadores seniores, es-pecialmente selecionados em todo o mundo. Creio ser a primeira vez que um brasileiro é convidado. Neste ano, a fase presencial do processo avaliati-vo será em novembro próximo. Acostumado às avaliações das uni-versidades nacionais, não há como não se surpreender acerca dos princi-pais indicadores que norteiam o pro-cesso chinês. Ainda que a qualidade do ensino e a produção científica tra-dicional sejam consideradas, as ênfa-ses do processo estão na análise das parcerias com o mundo corporativo e no incentivo ao empreendedorismo entre os educandos. Para quem se acostumou a associar os produtos chineses com cópias e imitações, seja na indústria de com-putadores, automóveis, jogos eletrô-nicos e celulares, a realidade atual mostra que, definitivamente, eles aprenderam a fazer do seu próprio jeito, ou seja, inovando mais do que seus concorrentes. A parceria entre governo, acade-mia e empresas pode ser exemplifi-cada pela valorização que o mundo universitário confere ao que eles cha-mam de BAT, sigla que corresponde às iniciais das três grandes estrelas: Baidu, Alibaba e ihncent. Juntas, es-sas empresas representam mais de US$1 trilhão. Ao lado delas, brilham as quase duas centenas de unicórnios (startups que superaram a casa dos US$1 bilhão) que, juntas, se aproxi-mam do mesmo montante da BAT. Em outras palavras, somente a BAT somada aos unicórnios, grosso modo, equivalem ao PIB brasileiro. Em ações sincronizadas, na Chi-na, todos os atores envolvidos promo-vem e valorizam inovações disrup-tivas em áreas que incluem infraes-trutura urbana inteligente, veículos autónomos e plataformas de medici-na personalizada, sempre baseadas em inteligência artificial e comércio eletrônico generalizado. Os chineses têm absoluta clare-za que tudo isso é fruto de fortes in-vestimentos em Educação, os quais crescem anualmente acima de 10%, atingindo a incrível cifra de mais de US$ 500 bilhões no ano passado. Atualmente, em torno de 14% dos es-tudantes da Universidade de Pequim abriram ou trabalham em startups e há a meta de dobrar esse percen-tual. Sem isso, entendem eles que o objetivo de fazer do país líder global em inteligência artificial e em outras áreas estratégicas não será atingido. Considerando que a China é, há quase uma década, nosso principal parceiro comercial, período no qual os investimentos chineses no Brasil cresceram 3.000%, é fundamental que os conheçamos bem. No primeiro semestre de 2018, os investimentos chineses no Brasil, concentrados em energia, alimentos, mineração e telecomunicações, atin-giram US$1,4 bilhão, volume quatro vezes maior do registrado no mesmo período no ano passado. Asperspectivas,sejanocomércio, no mundo da politicaglobal ou nas parce-rias acadêmicas, são, potencialmente, favoráveis ao Brasil, porém, a China saberá identificar se o país é somen-te uma fonte de commodities ou se a parceria será também em empreendi-mentos comuns, calcados em educação qualificada e planos substantivos em Ciência, Tecnologia e Inovação. E ao Brasil, cabe decidir que relações pre-tende estabelecer com a China, com o resto do mundo e consigo mesmo. No dia 26 de junho, Temer san-cionou a lei que institui o Dia Nacional da Imigração Chinesa. A chegada oficial dos primeiros imigrantes chineses a São Paulo, segundo registros oficiais, ocorreu em 15 de agosto de 1900, por isso a escolha desta data como Dia Na-cional da Imigração Chinesa.

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